30 de setembro de 2011


Aja antes de falar e, portanto, fale de acordo com os seus atos.
(CONFÚCIO)

Aula dia 28 de setembro de 2011(quarta-feira)

Roda de espreguiçar; Dançar uma música cigana.

Corrida biomecânica do Meyerhold:
Uma corrida de um lado para o outro, não deixar o palco vazio, deixar os braços e os joelhos cortarem o ar; “agora como se fosse saltar barreiras, obstáculos”, ”se eu impulsiono, eu salto mais”, “pensar no atleta”, cortando as linhas geométricas no espaço.

Tempo

Agora em cada momento que entrar em cena fazer uma mimese de uma imagem vista na rua(campo de investigação) não pode pensar, deixar o corpo vir, podem ter até várias passagens ao mesmo tempo, mas não pode ficar o palco vazio, perceber a respiração e os estados, se você anda, você também ESTÁ, trazer a biodinâmica do corpo,(empurrando, abaixando, solto, para cima, desorientado) se for rápido, RÁPIDO, lento, LENTO. 10 minutos

Agora a partir disso, fazer o exercício pedido na segunda-feira e apresentar na sequência.

Apresentação do exercício pedido na segunda-feira

Silvio- Entra com uma blusa de touca, e as mangas jogadas pelos braços, anda devagar pelo meio de cadeiras, senta-se num banco.

Elena- Varre bagunça no chão, procura algo nas sacolas e malas, volta a varrer, deixa a vassoura de lado, procura algo numa sacola, para, olha para o público, mexe nas bolsas e sacolas, guarda tudo numa sacola, come, pega a vassoura junto com a bolsa e sai.

André- Arruma cadeiras com sacos de lixo em cima, vai para um banquinho, se deita com uma touca na cabeça, pega um papelão do chão e vai procurando comida nos sacos de lixo e coloca na “bandeja” e depois leva ao banquinho onde estava deitado.

Antunis- Mãos dadas, numa posição de “feto”, joelhos juntos passa de um lado da parede para o outro com dificuldade, se arrastando.

Letícia- Deitada, dormindo enrolada numa coberta, latinha de cerveja e coca-cola espalhadas, saco de lixo próximo, pega a coca-cola, abre, bebe, faz “tantantantantan” e arrota, deita.

Lara- Vestido, salto, elegante, pede para ajudarem uma mulher ferrada, fala: -“Vocês são tão elegantes, ajudem uma mulher ferrada.” Pega  a coberta da Letícia e coloca nela, pega a lata de cerveja vazia.

Natália- Começa a ler um jornal e mexer no lixo, coloca o jornal no lixo, pega mais jornal, coloca no lixo, pega a latinha e bebe.

Mayara- Sentada num pano vermelho, começa a fazer “ru, ru” deita, e senta com batom na metade da boca, pega cigarro entre os dedos do pé, coloca na boca, depois nos cotovelos.

Vanessa- Troca de roupa, tira uma preta longa e uma sandália, fica com um microvestido e andando desordenadamente pergunta do que as pessoas sentem falta.

Henrique- De terno e gravata anda com as mãos nos olhos por todos os cantos, sai, volta com uma corda estende entre as mãos, vai perto de casa pessoa e olha nos olhos, só olha.

Thais- É barrada atrás da linha vermelha(banco/voz externa da Vanessa) fica revoltada, vai para o outro lado e pede dinheiro para a Santa chamando ela de “Dona”, depois fala que tá todo mundo rindo dela e xinga todos de filhos da puta, e desenha o contorno do corpo do William deitado.

William- Deitado, senta-se tira a sacola da cabeça, começa a tirar roupa social de dentro da sacola e se troca, canta uma música e sai.

Otávia- Ri, anda, pendendo, cheira a parede e ri, anda, cheira.

Gerson- Reclamando da vida, andando de um lado para o outro, com uma blusa no ombro, para no meio, se abaixa, levanta e volta a reclamar, deita em cima do jornal.

Agora cada ator vai escrever no seu caderno respondendo as seguintes questões:

1ª Sensações e afetações sobre as cenas de hoje. (1 minuto para responder)

2ª O que você lembra até agora, se você fosse fazer uma linha de tudo o que vocês fizeram, o que você lembra desde o início até hoje, agora? (1 minuto)

3ª Sobre o que estamos falando? (1 minuto)

4ª Qual o nome da peça? (1 minuto)

5ª Escreva uma sinopse. (2 minutos)

Intervalo

Roda

Cada um leu seu caderninho falando suas respostas sobre as questões perguntadas antes do intervalo.
Está tudo casando, como a gente faz um processo de criação coletiva, como todos estão no mesmo barco, ninguém está viajando, todos estão falando praticamente as mesmas coisas, isso é muito interessante.
Todos dão as coisas escritas para a Renata, para ela pensar e linkar um nome, sinopse.

A Renata está bem feliz com o processo de evolução.

Momento de avaliação: Reler o que escreveu no papel escrito no 1º dia de aula e escrever o que mudou, não mudou, precisa mudar, o que é preciso fazer, etc. e devolver para a Renata, André e Antunis entregar na segunda-feira.

Pegamos os nomes artísticos dos atores para mandar para a escola para fazer o livrinho da mostra, verifiquem se estão corretos:
André Rabello, Ângela Calderazzo, Elena Urias, Gerson Corrêa, Henrique Antunis, Henrique Figueiredo, Lara Bordin, Letícia Bassit, Mayara Matsen, Natália Garcia, Otávia Costalonga Rodrigues, Silvio Amerise, Thais Rossetto, Vanessa Upyr, William Zimolo

Beijos e abraços meus queridos, estou amando tudo isso, uma experiência maravilhosa, na vida de todos tenho certeza, processo de montagem ímpar.
Até mais.
Giovanni Peixoto

26 de setembro de 2011

Aula do dia 26 de Setembro de 2011

"..." Fiquei procurando uma epígrafe linda, iguais as que a Érica coloca, mas não encontrei nada que pontuasse a força do vivido hoje.

Iniciamos a aula com um aquecimento de chão, partindo do centro para a periferia, inspirando e expirando o ar, no movimento de contração e expansão. Ainda deitados pegar os pés como bebes e começar a rolar, explorar o nível baixo e médio e indicando o alto, quando possível se manter na supensão. Desse movimento partir para a caminhada, mantendo os gestos "estranhados", andar ocupando os espaços vazios e no meu comando se juntando, formando um coro, e às vezes parando no lugar e só mantendo os gestos. Repetimos isso por algum tempo.
Percebo que já há uma facilidade para perceber a "energia" e as possibilidades de "estranhamento". O grupo responde bem.
Depois desse aquecimento, fizemos uma roda e falei das datas da Mostra: 5, 6 e 7 de Dezembro, segunda, terça e quarta-feira no teatro 4 e depois expliquei como seria a dinâmica para nossa pesquisa na rua. 1º momento: observação e deixar-se afetar pelas imagens.
Itinerário: Até a Igreja de Santa Cecília, para o primeirso encontro e depois até a praça da República.
Na praça da República fizemos uma roda dentro do coreto e falamos sobre as primeiras impressões, pedi para que no caminho de volta, observassem com um olhar de cineasta, com dimensão, profundidade e recortes, se deixassem afetar pelas misturas provocadas pela cidade.
Voltamos ao Macu e falamos na roda dos próximos passos:

Para quarta-feira:proposta de sinopse e nome para a peça e realização do exercício cênico, partindo das afetações da rua. Também haverá uma reflexão de avaliação bimestral. Fechamento de um 1º ciclo.

Registrem suas impressões e afetações cênicas.

Evoé!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

21 de setembro de 2011

Diretamente do mundo da afetação

Postando diretamente da aula, enquanto vocês estão fazendo um aquecimento bem interessante, com sons  que causam estranhamento e movimentos diversos.

Eu e o Giovanni estamos aqui assistindo a tudo e delirando com essas afetações que vocês trazem. Incrível fonte de inspiração!!

Aula dia 19 de setembro.


"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada"
Clarice Lispector 

AQUECIMENTO

Caminhando pelo sala, afetado pela música (clássica). Pensando em como ativar o corpo, criando movimentos para acordar o corpo. Talvez encontre um movimento que está gostoso de fazer, estimulante, então vai repetindo o movimento, brincando com as possibilidades. Respiração. O corpo tem uma memória e aos poucos vocês se lembram das aulas passadas, os movimentos criados. Como se aquece o corpo do ator?  Não é a mente, pois a mente diz que está com preguiça. Mexendo todas as partes do corpo, inclusive o rosto, a face.
Recupere alguns aquecimentos que vocês tem no repertório. Isso passa ser um repertório do grupo para usar nos ensaios, antes da apresentação (15 minutos).

1.  Caminhe olhando para um ponto fixo. Um corpo que anda. Primeiro eu olho e depois vou. Percebendo a ocupação dos espaços vazios. Criando linhas geométricas dentro do espaço. Abra o externo e o rosto. Queremos ver seu rosto. Pare diante dos obstáculos, quando cruzar com alguém. Ocupe melhor os espacos vazios. Primeiro olhe e depois vá até o ponto. Cresce o pescoço (2 minutos).        

2.    Pare no meio, olhe para 2 pontos diferentes, fique na dúvida, decida e vá. Trabalhar a dúvida, qual a respiração da dúvida? Acrescentar um terceiro ponto, para surgir a desorientação.  Depois um quarto ponto, para crescer a desorientação. Impulso de ir para um lugar e depois outro. Impulso de coluna. Não pare para pensar! Quebrar a coluna. Estamos desconstruindo, deixe vir a desorientação. Acrescentar um quinto ponto. Ir até chegar a queda, deixe a queda acontecer. O que é essa queda? Cair e levantar e ter que continuar a vida? Caia, lute contra o chão, brigue com o chão, com raça, determinação. Pense: eu vou vencer, não sou um perdedor! Solte a cabeça solte o ar. Use a gravidade ao seu favor. Perceba o corpo. Respire, traga os sons, coloque para fora. Continua a desorientação, respiração. Ocupe melhor o espaço cênico, vá em direção ao espaço vazio. Solte o ar, a respiração, palavras deixe vir. Mais intensidade. Jogue seu som para fora. As rasteiras da vida. Perceba cada movimento, articulação, como você faz para se levantar e cair, domine o seu corpo. Vai deixando mais lento, mas com a mesma intensidade, como se estivesse caminhando em câmera lenta, deixe o filme lento, mas não mude a intensidade, suspensão do movimento, a queda é em câmera lenta. A desorientação é em câmera lenta, trabalhar intensidade, onde está a força, tem que ter a mesmo força para o rápido e lento. Percebendo as deturpações do seu corpo, pedacinho por pedacinho. Deixe mais lento. Questione: Para onde eu olho? Para onde vou? Qual minha direção? Qual meu ponto de apoio? Como esta minha respiração? Não entre no ritmo da musica. Perceba o corpo, todo o corpo envolvido, até o dedinho do pé. Cada pedacinho do seu corpo. Você tem que ter percepção. Para onde você está mandando a força? Intensidade no olhar, um olhar próximo, no horizonte, para o outro, onde está esse olhar?? Olhar também é lento (18 minutos).

3.     Agora sem o estimulo da musica. Trabalhando o silêncio. Respirem. Intensidade. Trabalhe o lento até encontrar uma pausa, a imobilidade. E fique nela, nessa imagem. Pausa até  o comando de sair correndo (7 minutos).

4.     Correndo para os espaços vazios (1 minuto).

5.      Parado, suspensão (1 minuto).

6.  No lugar vai relaxando, voltando ao corpo neutro, sem perder o estado do corpo, a intensidade que conseguiram. Desse ponto inicie uma trajetória e finalize no mesmo ponto. Desenhar a trajetória , pode ser longa ou curta, circular ou retas. Repetir para ter consciência disso. Chegue ao vértice novamente (2 minutos).

7.    Execute a trajetoria novamente, dizendo: Eu gosto de…. Volte ao ponto  e faça novamente dizendo: Eu não gosto de… Repita dizendo:  Eu quero… Depois dizendo:  Eu sou...  Falar para todo mundo ouvir (2 minutos).

9.  Caminhe em várias direções e trabalhe o olhar.  Olhe para alguém, crie um encontro (afetação) e depois uma separação. Quem está só, trabalhe a solidão até encontrar alguém. Com todo o corpo, com toda a intensidade, com todo calor e energia que um transmite ao outro, toda a entrega. Ao estar só, sentir o só a angustia de não ter o outro, a busca pelo outro. O corpo todo nesse abraço, abraço de urso. Encontro de encaixe.  Agarre o outro. Um quer sair e o outro não deixa, comece uma luta, respire. Inverte a pessoa que quer sair (4 minutos).

10.  Congele na atitude. Parar com olhar, tônus (1 minuto).

11. Relaxe e caminhe em silêncio.

12.  Caminhando lembrando os " gestus" do cronotopo da Pina. Trazer o repertório, cada um na sua ordem, colocando o seu "eu" para isso (5 minutos).

Alongar por 5 minutos. Engolir saliva e aquecer a voz. Perceba o estado do corpo, o corpo do ator, da energia, o corpo está com outra energia. Pensar no que precisa fazer para manter a energia, mas também cuidar do corpo, se alongar e aquecer a voz.


Quando tiverem um tempo livre de aquecimento, podem usar esses repertórios. Cada um pode compor o seu próprio repertório, percebendo o que está precisando naquele momento.
A questao do limite é muito relativa, se vocês ficarem sempre na sua zona de conforto, nunca vão saber até onde podem ir. Então procurem avançar um pouco mais a cada dia, claro que não devem chegar ao transe ou desmaiar, mas podem investigar até onde conseguem ir, sem perder o controle total, entender as mudanças de estados. Esse é o trabalho do ator, investigar suas alterações.

Juntem-se em duplas para trabalhar as cenas escolhidas nos cronotopos.

APRESENTAÇÃO DAS CENAS.

(CONSIDERAÇÕES RENATA)

Momento de teatralizar as imagens, cronotopos. No exemplo da Leticia, o que ela pode usar dentro do saco pare preencher e dar a impressão de tijolos, sabendo que tijolo não é possível.
Experimentar, aqui estamos experimentando.
Aqui existe um trabalho da intimidade, porém a escola não permite o nu, então podemos investigar e experimentar e se perceber quanto ao corpo nas aulas. Usar esse momento e espaço, para não pirar fora daqui. Como trabalhar a nudez teatralmente nesse universo.

Cena 1 Silvio e Otávia.

Ele entra curvado, carregando a Otávia nas costas. Da uma volta pelo palco e para no centro (1 minuto).

Talvez tentar a cena com a Otávia carregando o Silvio.

Cena 2 Henrique, Thaís e Lara.
Uma mesa e duas cadeiras no centro do palco. Henrique e Thaís estão no palco. Entra Lara. Henrique vira a cadeira e Lara se senta. Thaís sai, vai até o fundo do palco,  coloca um chapéu e pega umas pastas. Henrique toca o rosto da Lara, que está estática, depois tira o casaco, está vestindo um babydoll e calças. Ele chama Lara, que não responde. Ele tira as calças, vira ela de frente e tenta beija-la. Ela empurra ele e arruma a roupa.  Então levanta, passa um blush no rosto dele, depois em seu rosto e sai. Entra Thaís, falando da cidade de São Paulo descompassadamente, sobre trânsito, metrô, pessoas, etc. Henrique coloca a roupa enquanto Thaís fala e não presta atenção no que ela diz, só concorda quando ela questiona (6 minutos).

Cena 3 Antunis.
De pé, vestindo saia. Anda pelo palco e vai mexendo os braços se tocando. Repete o movimento várias vezes. Música ao fundo (3minutos).

Pesquisar textos no blog que a Renata criou. Sobre performance, Ze celso, Bob Wilson, Pina.
Referências, filme: "Arvore da vida", peça do Edu: "Outra sina de existir". Perceber a questão do texto não dramático. A questão da atmosfera, em um momento todos dançam freneticamente, depois param e ficam em suspensão, pausa. O trabalho criativo é fazer a pratica.
Investigar a questão da imagem e possibilidades de fazer projeções.

Para quarta-feira todos deverão passar as cenas.

18 de setembro de 2011

Finalizo meu domingo, postando o relatório da última aula, de uma semana que se acaba.
Expectativas para a próxima semana... O trabalho está se intensificando e nós, do lado de cá, nos empolgamos com o a dedicação e envolvimento de vocês nesse processo.

Continuem motivados e se entreguem, cada vez mais, nesse processo que está tão rico e será, sem dúvidas, uma grande fonte de aprendizado para todos nós.

Arrasem!

Aula do dia 14 de setembro.


"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem." 
                                                                                                                                                Bertolt Brecht


Aquecimento

Caminhando pela sala, livre, mas usando ações e movimentos criados na aula anterior. A maioria está vestido com roupas que trouxeram para figurino. (10 minutos.)

Espreguiçando. (2minutos)

Assistimos um video de uma coreografia da Pina (4 minutos) depois todos tentaram reproduzir os mesmos movimentos do video. ( 5 minutos)



Renata: O que afeta vocês quando assitem uma coreografia da Pina? Ver esse bailarino/ator fazendo dança teatro?
Discussao: Intensidade dos movimentos, desconstrução.
Buscar a nossa identidade, trazer a nossa rotina do nosso universe da cidade de São Paulo. Perceber  como é esse movimento que vocês estão repetindo. Se perguntar: O que eu estou querendo colocar para fora? Para justificar o movimento.
Pensar nos coletivos na cidade de São Paulo. Como um coro de meninos vestidos de terno, com crachás. Ou o metro as 18 horas. 

Renata:
A repeticao do fîsico altera o estado emocional. A intensida provoca outros estados. É como a questão do transe, alguns grupos de teatro trabalham o transe, mas até o ponto em que conseguem controlar isso. Não pode passar do limite, pois é preciso ter esse registro para poder acessar quando for necessário.
Mas para isso é preciso se entregar, estar aberto ao novo.

Todos reproduziram os movimentos ao comando da Renata:
- Lutar contra si mesmo.
- Solta a respiração, solta o ar.
- Que significado isso traz para você?
- Preenchendo essa tecnica, esse corpo.
- É belo também o que vocês estao fazendo.
- Deixando tudo mais intenso.
- Perceber o estado de mudança.
- Alguns poderiam ter ido mais.
- Alteraçao do estado físico e emocional.

Caminhando e parar em suspensão, que não é uma pausa.
Toda vez que deixar o tronco cair para frente, soltar também a cabeça.

Assistimos outra parte do filme da coreografia da Pina.
Depois disso, sentados em um roda, cada um leu o seu cronotopo, retirado do livro sobre a obra da Pina.

Cenas espacos internos


1. Andre, Antunis, Gerson, Elena.

Entram no metrô. Na seqüência entra Elena, com um grande chapéu e comenta sobre o tempo. Proxima estacao os meninos descem passando por cima da Elena. Ela diz: Vocês nao tem educacao nao?


2. William, Thais, Mayara Angela e Juliana.

3 cadeiras, 3 sentados e 2 de pé. Assim que a pessoa sentada levanta, o que esta de pé sai correndo para sentar no lugar. Essa seqüência se repete por várias vezes. Entra uma senhora idosa, ninguém da lugar. Ninguem se olha. Uma pessoa de pé coloca a bolsa nas costas de quem está sentado. Disputa pelos lugares vazios. Uma pessoa com varias bolsas e quem esta sentado nem olha.

3. Silvio, Lara, Henrique Otávia e Natalia.

Henrique entra, caminha pelo espaco, mexendo primeiro a cabeça para uma direção e depois vai com o corpo até chegar em um ponto e repete o movimento várias vezes até ficar de frente para uma cadeira no meio do palco e sentar. Entra Silvio e faz a mesma coisa, quando chega na cadeira,  senta de um lado. Depois Otavia faz a mesma coisa até chegar na cadeira e sentar do outro lado. Natalia faz a mesma coisa até chegar na cadeira e sentar no colo da Otavia. Depois Lara faz a mesma coisa, chega ao meio e senta em cima da Natalia. Henrique tira um guardanapo do bolso e limpa a boca.



Todos formaram um roda para falar de seu cronotopo.


André -- Rapaz de terno e gravata se barbeando.
Lara --  Cena 45 -  Relações culturais, oposicoes.
             Cena 4 -  Busca, procura por algo,  a mãe  representa segurança do abrigo e proteçao. A floresta simboliza perigo, inconsciente. BUSCA importante.
Thais -- Cena 52 -  Relações homens/ mulheres.
Angela -- Cena 10  -  Relação do bem e mal, divino e satanico, puro e impuro. Buscar esse EU inserido nessa cidade, convivendo.
Vanessa -- Cena 17
Antunis --  Cena 51
Elena  -- Cena 85
Gerson -- Cena 23 -  A dimensao da solidao humana, que parece ser um exercidio da contemporaneidade  humana. Palavra mãe.
Silvio -- Cena 18
Otavia -- Cena 36 e cena 69
Mayara -- Cena13
Natalia -- Cena 29 e 74 - ponte com o Silvio. Cria um ponte com o público, pois ele se questiona se vai cair ou não por causa do equilibrio.
William -- Cena 45 -  Mesma da Lara e Herique.
William e Juliana --  Cena 20 - Limite do som, falta de ar, pensar na atmosferas.  Cada cena tem uma atmosfera diferente.


PRÓXIMA AULA

 Continuar na investigacao do cronotopo.
Campo de investigacao nas ruas.

Pensar em um nome para o espetáculo.

Fim.



Vejo vocês amanhã bem cedo!!





"... Bom mesmo é a gente encontrar um bom amigo..."

Com este título, nem precisaria de uma postagem, pois ele por si só, já diz tudo.
Mas eu escolhi este título para postar registro da primeira aula assistida pelo nosso querido Giovanni, que com seu jeito acelerado, diria até... super ativo, é uma incrível fonte de inspiração e motivação.
Querido Giovanni, é com prazer que coloco seu primeiro relatório!!

Gratidão por dividir esse momento com você.

DESFRUTEM!!



Aula ministrada por: Renata Kamla

08/08/2011 – Segunda-feira
Aquecimento
Música de fundo.
Respirar: inspirar e expirar.
Em nível alto caminhar pelo espaço, abrindo o externo trocando olhares.
Duplas: um recebe o toque, o outro dá o toque. (Aquecer as mãos)
Fazer “chuá” no parceiro (respirando)
Movimentar o outro como se fosse uma massa, uma argila, moldar (Quem recebe tem que ter resistência).
Tempo
Troca o parceiro.
Tempo
Agora os dois ao mesmo tempo, simultaneamente, sempre respirando.
Tempo
Agora para e percebe... Separa... anda pelo espaço.
Outra dupla, senta um de frente para o outro, se olha, respira, fechando os olhos, dando as mãos. Mão direita a que massageia, dá. Esquerda recebe. Dar e receber o toque, reconhecer as pessoas pela mão, pelo toque, intensificar, perceber, como conseguir fazer duas coisas ao mesmo tempo pelo tato.
Tempo
Pousar as mãos, devagar, voltar a olhar, agora para o olho direito do parceiro, como se só existisse o olho direito. O que o olho direito te traz?
Tempo
Agora olhar para o olho esquerdo, perceber se há diferença. Como é o olho esquerdo?
Tempo
Começar a olhar os dois olhos.
Tempo
Fechar os olhos, simultaneamente tocar o rosto do outro, perceber o rosto, a máscara do outro, que eu estou investigando, percebendo o toque seu no outro, e do outro no seu. Perceber como uma unidade, como eu preciso do toque do outro e vice-versa, como se fosse uma unidade, um corpo único.
Tempo
Pousar os braços, tocar as mãos.
Tempo
Agora sentir como se tivesse um fio de comunicação, levantando e se afastando, lentamente, mas a conexão não perde, se manter ligado pelo fio imaginário, mesmo que estiver o mais longe, continuar com a linha imaginária de energia que me liga ao outro, chegar ao máximo de energia, ficar na energia, na comunicação entre vocês. Fechar os olhos, agora vão voltar de olhos fechados e ficar de mãos dadas com o parceiro. Reconhecer a mão, o rosto, quando estiverem juntos abrir os olhos. Separar.
Em roda (Mão direita massageando em cima, mão esquerda recebendo embaixo). Fechar os olhos e sentindo, massageando, respirando.
Tempo
Abrir os olhos, caminhar pela sala.
Jogo das escápulas: Cada um tem que tentar tocar a escápula do outro. Se tocar três vezes, pessoa morre. Sem se trombar um com o outro. (Na quarta-feira quem sair com facilidade vai ter castigo).
Tempo
Brincadeira da bola: Acertar a bola no adversário, acima do joelho, quem for acertado vai para o outro time. (Buscar a estratégia).
Tempo
Brincadeira da diagonal: Dois times, um fica em uma linha diagonal, sendo que cada intercalando, um virado para frente outro para trás, um time fica fora. Uma pessoa da diagonal tem que pegar quem está fora, o restante fica parado. Quem está no time de fora, pode correr para qualquer sentido, quem está na diagonal só pode correr para um sentido. A pessoa da diagonal pode escolher outro do time para ajudar a pegar alguém do time de fora, mas ele deve imediatamente substituir a pessoa que escolheu. (Perceber estratégia).
Tempo
Jogo da viúva: Duas fileiras de cadeiras, uma de frente para a outra, uma fileira em pé, atrás de cada fileira de cadeiras. Os que estão de pé, tem que piscar para os que estão sentados no lado oposto. O que está sentado tem que levantar e tentar sair, sem que a pessoa atrás da cadeira perceba. Se ela perceber, vai encostar no ombro de quem quer sair e a pessoa tem que voltar.. Depois troca, quem está sentado fica de pé e vice-versa. (Então tem que perceber o momento de jogar, estratégia).
Tempo
Roda, cada um tem que pegar um papel no centro e falar sobre o que a Palavra diz.
Palavras: Vazio (papel em branco); Futuro; Se o mundo acabasse amanhã?; Amor; Maior Defeito; Dor; Presente; Humanidade; Papel em branco; Vazio; Família; Nada; Vazio; Amizade.
Todos nós falamos sobre o que essa palavra nos representava. Momento muito importante, emocionante, muitos abriram seus corações e contaram suas angústias, desejos, intimidades, etc.
Intervalo
Volta do Intervalo, caminhando pelo espaço, lembrar do “Eu Sou” (o que, quem?), “Eu Gosto”, “Eu Não Gosto”.
Tempo
Começar a trabalhar “Eu Quero”, andar até um ponto com objetivo e falar o que quer com energia. Agora correndo e falando o que quer, mais energia.
Parou, relaxou. “Não é necessário gritar, tem que ser articulado e com energia, definir o foco e correr até ele e falar com verdade, com muita energia.” (Deixar um tempo até não ter mais o que as pessoas falarem, e assim acabar soltando o que querem de verdade).
Tempo
Parou, pés paralelos. “Como saber controlar o correr e falar com energia”.
Se espalhar pelo espaço como um tabuleiro, separados e divididos.
Começar a desenhar a trajetória geométrica e repetí-la. Saída da trajetória “Eu Sou”, vai percorrendo e falando “O Que Eu gosto”, quando chega no final fala “Eu Sou”
Tempo
Ponto Inicial (P.I.) “Eu sou” percorrendo e falando “O Que Eu Não Gosto”, termina no “Eu Sou”.
Tempo
P.I. “Eu Sou” percorrendo e falando “Eu Quero”, terminando no “Eu Sou”.
Música rolando e trajetória falando.
“Para quarta-feira uma cena, partitura de no mínimo 2 minutos e no máximo 5 minutos, juntar as coisas do ‘Eu Sou’ (características pessoais); ‘Eu Gosto’; ‘Eu Não Gosto’; ‘Eu Quero’ (desejos)”. Trazer objetos, músicas, etc.
Um rolo de papel no chão, metade do grupo de um lado, metade do outro, 3 giz de cera para cada um, e ficar em raias e se perguntar: “O Que Me Afeta?”. Tomar impulso da parede e escrever no papel que está no centro o que afeta, e voltar para a parede, tomar impulso e voltar para o papel.
Tempo
Virou o papel e escrever “O Quero Dizer Para o Mundo” (Eu quanto artista, ator, aluno).
Tempo
Parou, virar o papel, andar e ver o que os outros escreveram.
Salientar as palavras que remetam imagens, virar o papel e fazer a mesma coisa, investigar, e depois sublinhar os verbos de ação das palavras que emitam o que você quer passar enquanto artista.
Roda, Renata pergunta: Qual a relação dos jogos teatrais?
Respostas: A questão da comunhão, da interação com o outro, coletivo, não pensar em ganhar e sim jogar com o grupo, confiança, humildade, ceder, consciência, brincadeira que não é brincadeira, saber lidar com o outro e com uma voz externa.
Pergunta: Encontro de hoje, o que teve de sensibilidade, razão e arte?
Respostas: Sensibilidade – O toque das mãos, o olhar, há diferença entre o lado esquerdo e o lado direito.
Razão – Massagem uns nos outros, todos os momentos de ordem.
Arte – Comunicação do grupo, conexão com o próximo, o teatro é uma troca, o papel foi arte, todos os momentos no espaço cênico, manifestando desejos, sentimentos.