21 de setembro de 2011

Diretamente do mundo da afetação

Postando diretamente da aula, enquanto vocês estão fazendo um aquecimento bem interessante, com sons  que causam estranhamento e movimentos diversos.

Eu e o Giovanni estamos aqui assistindo a tudo e delirando com essas afetações que vocês trazem. Incrível fonte de inspiração!!

Aula dia 19 de setembro.


"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada"
Clarice Lispector 

AQUECIMENTO

Caminhando pelo sala, afetado pela música (clássica). Pensando em como ativar o corpo, criando movimentos para acordar o corpo. Talvez encontre um movimento que está gostoso de fazer, estimulante, então vai repetindo o movimento, brincando com as possibilidades. Respiração. O corpo tem uma memória e aos poucos vocês se lembram das aulas passadas, os movimentos criados. Como se aquece o corpo do ator?  Não é a mente, pois a mente diz que está com preguiça. Mexendo todas as partes do corpo, inclusive o rosto, a face.
Recupere alguns aquecimentos que vocês tem no repertório. Isso passa ser um repertório do grupo para usar nos ensaios, antes da apresentação (15 minutos).

1.  Caminhe olhando para um ponto fixo. Um corpo que anda. Primeiro eu olho e depois vou. Percebendo a ocupação dos espaços vazios. Criando linhas geométricas dentro do espaço. Abra o externo e o rosto. Queremos ver seu rosto. Pare diante dos obstáculos, quando cruzar com alguém. Ocupe melhor os espacos vazios. Primeiro olhe e depois vá até o ponto. Cresce o pescoço (2 minutos).        

2.    Pare no meio, olhe para 2 pontos diferentes, fique na dúvida, decida e vá. Trabalhar a dúvida, qual a respiração da dúvida? Acrescentar um terceiro ponto, para surgir a desorientação.  Depois um quarto ponto, para crescer a desorientação. Impulso de ir para um lugar e depois outro. Impulso de coluna. Não pare para pensar! Quebrar a coluna. Estamos desconstruindo, deixe vir a desorientação. Acrescentar um quinto ponto. Ir até chegar a queda, deixe a queda acontecer. O que é essa queda? Cair e levantar e ter que continuar a vida? Caia, lute contra o chão, brigue com o chão, com raça, determinação. Pense: eu vou vencer, não sou um perdedor! Solte a cabeça solte o ar. Use a gravidade ao seu favor. Perceba o corpo. Respire, traga os sons, coloque para fora. Continua a desorientação, respiração. Ocupe melhor o espaço cênico, vá em direção ao espaço vazio. Solte o ar, a respiração, palavras deixe vir. Mais intensidade. Jogue seu som para fora. As rasteiras da vida. Perceba cada movimento, articulação, como você faz para se levantar e cair, domine o seu corpo. Vai deixando mais lento, mas com a mesma intensidade, como se estivesse caminhando em câmera lenta, deixe o filme lento, mas não mude a intensidade, suspensão do movimento, a queda é em câmera lenta. A desorientação é em câmera lenta, trabalhar intensidade, onde está a força, tem que ter a mesmo força para o rápido e lento. Percebendo as deturpações do seu corpo, pedacinho por pedacinho. Deixe mais lento. Questione: Para onde eu olho? Para onde vou? Qual minha direção? Qual meu ponto de apoio? Como esta minha respiração? Não entre no ritmo da musica. Perceba o corpo, todo o corpo envolvido, até o dedinho do pé. Cada pedacinho do seu corpo. Você tem que ter percepção. Para onde você está mandando a força? Intensidade no olhar, um olhar próximo, no horizonte, para o outro, onde está esse olhar?? Olhar também é lento (18 minutos).

3.     Agora sem o estimulo da musica. Trabalhando o silêncio. Respirem. Intensidade. Trabalhe o lento até encontrar uma pausa, a imobilidade. E fique nela, nessa imagem. Pausa até  o comando de sair correndo (7 minutos).

4.     Correndo para os espaços vazios (1 minuto).

5.      Parado, suspensão (1 minuto).

6.  No lugar vai relaxando, voltando ao corpo neutro, sem perder o estado do corpo, a intensidade que conseguiram. Desse ponto inicie uma trajetória e finalize no mesmo ponto. Desenhar a trajetória , pode ser longa ou curta, circular ou retas. Repetir para ter consciência disso. Chegue ao vértice novamente (2 minutos).

7.    Execute a trajetoria novamente, dizendo: Eu gosto de…. Volte ao ponto  e faça novamente dizendo: Eu não gosto de… Repita dizendo:  Eu quero… Depois dizendo:  Eu sou...  Falar para todo mundo ouvir (2 minutos).

9.  Caminhe em várias direções e trabalhe o olhar.  Olhe para alguém, crie um encontro (afetação) e depois uma separação. Quem está só, trabalhe a solidão até encontrar alguém. Com todo o corpo, com toda a intensidade, com todo calor e energia que um transmite ao outro, toda a entrega. Ao estar só, sentir o só a angustia de não ter o outro, a busca pelo outro. O corpo todo nesse abraço, abraço de urso. Encontro de encaixe.  Agarre o outro. Um quer sair e o outro não deixa, comece uma luta, respire. Inverte a pessoa que quer sair (4 minutos).

10.  Congele na atitude. Parar com olhar, tônus (1 minuto).

11. Relaxe e caminhe em silêncio.

12.  Caminhando lembrando os " gestus" do cronotopo da Pina. Trazer o repertório, cada um na sua ordem, colocando o seu "eu" para isso (5 minutos).

Alongar por 5 minutos. Engolir saliva e aquecer a voz. Perceba o estado do corpo, o corpo do ator, da energia, o corpo está com outra energia. Pensar no que precisa fazer para manter a energia, mas também cuidar do corpo, se alongar e aquecer a voz.


Quando tiverem um tempo livre de aquecimento, podem usar esses repertórios. Cada um pode compor o seu próprio repertório, percebendo o que está precisando naquele momento.
A questao do limite é muito relativa, se vocês ficarem sempre na sua zona de conforto, nunca vão saber até onde podem ir. Então procurem avançar um pouco mais a cada dia, claro que não devem chegar ao transe ou desmaiar, mas podem investigar até onde conseguem ir, sem perder o controle total, entender as mudanças de estados. Esse é o trabalho do ator, investigar suas alterações.

Juntem-se em duplas para trabalhar as cenas escolhidas nos cronotopos.

APRESENTAÇÃO DAS CENAS.

(CONSIDERAÇÕES RENATA)

Momento de teatralizar as imagens, cronotopos. No exemplo da Leticia, o que ela pode usar dentro do saco pare preencher e dar a impressão de tijolos, sabendo que tijolo não é possível.
Experimentar, aqui estamos experimentando.
Aqui existe um trabalho da intimidade, porém a escola não permite o nu, então podemos investigar e experimentar e se perceber quanto ao corpo nas aulas. Usar esse momento e espaço, para não pirar fora daqui. Como trabalhar a nudez teatralmente nesse universo.

Cena 1 Silvio e Otávia.

Ele entra curvado, carregando a Otávia nas costas. Da uma volta pelo palco e para no centro (1 minuto).

Talvez tentar a cena com a Otávia carregando o Silvio.

Cena 2 Henrique, Thaís e Lara.
Uma mesa e duas cadeiras no centro do palco. Henrique e Thaís estão no palco. Entra Lara. Henrique vira a cadeira e Lara se senta. Thaís sai, vai até o fundo do palco,  coloca um chapéu e pega umas pastas. Henrique toca o rosto da Lara, que está estática, depois tira o casaco, está vestindo um babydoll e calças. Ele chama Lara, que não responde. Ele tira as calças, vira ela de frente e tenta beija-la. Ela empurra ele e arruma a roupa.  Então levanta, passa um blush no rosto dele, depois em seu rosto e sai. Entra Thaís, falando da cidade de São Paulo descompassadamente, sobre trânsito, metrô, pessoas, etc. Henrique coloca a roupa enquanto Thaís fala e não presta atenção no que ela diz, só concorda quando ela questiona (6 minutos).

Cena 3 Antunis.
De pé, vestindo saia. Anda pelo palco e vai mexendo os braços se tocando. Repete o movimento várias vezes. Música ao fundo (3minutos).

Pesquisar textos no blog que a Renata criou. Sobre performance, Ze celso, Bob Wilson, Pina.
Referências, filme: "Arvore da vida", peça do Edu: "Outra sina de existir". Perceber a questão do texto não dramático. A questão da atmosfera, em um momento todos dançam freneticamente, depois param e ficam em suspensão, pausa. O trabalho criativo é fazer a pratica.
Investigar a questão da imagem e possibilidades de fazer projeções.

Para quarta-feira todos deverão passar as cenas.

4 comentários:

  1. Cada dia de ensaios eu vejo que meu corpo realmente tem memória. Eu não lembro imediatamente o que fazer como aquecimento corporal, mas no momento em que começo a me movimentar, o corpo vai e lembrando e eu vou fazendo. Nos momentos em que retomamos o eu gosto, eu não gosto, eu sou e eu quero é complicado falar (para mim). Não sei se por causa da sociedade, nós raramente verbalizamos isso; então pensar nisso para verbalizar é complicado. Eu sei quem sou, o que gosto, o que quero e o que não gosto, mas não consigo verbalizar isso com facilidade, pois isso não é normal para mim.
    Sobre os cronotopos eu comento sobre o meu. O cronotopo da cena 17, que fala sobre censura. No fim de semana eu fiquei no trânsito, presa por causa de um farol. Esse farol fez um trânsito de quase 1km. Isso me fez lembrar sobre o cronotopo escolhido, sobre censura.
    O trânsito nos censura no nosso direito de ir e vir, e por várias vezes em São Paulo. Assim como várias outras coisas que estou pesquisando para ver se é valido ou não incluir na minha partitura.

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  2. O meu cronotopo ganhou mais vida do que segunda.
    Concordo com o que a Renata disse : tudo parece sair mais naturalmente, os movimentos se tornam mais orgânicos e a coisa toda parece mais verdadeira pra mim. Estou hiper-ansioso para ir às ruas na segunda :)

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  3. TRABALHO,TRABALHO,TRABALHO ...
    Vejo que temos muito conteúdo na mão só basta exploramos mais e sempre anotar o que temos para oque fazemos nao seja só intuitivo e sim trabalhado com pesquisa e conteúdo.Tenho sentido nas aulas que a repetição tem sido fantástica para o meu desenvolvimento assim posso explorar o novo em pequenos gestos e a qualidade do movimento fica melhor mais trabalhada precisa.
    Escolhi a cena do "homem lama' e junto com a ideia da renata da gaze vou levar a gesso para cena nao deixando de ser algo da natureza ,que nos engessa faz perder a mobilidade isso acontece no nosso cotidiano como pensamento, atitude, comportamento e algo que tenha trazido para as aulas a imobilidade de nao saber oque fazer ,o mergulhador e um deles que por estar com uma mascara ele vai em busca da sede essa sede pode ser trazida em varias interpretações umas delas e agua outra a falta de algo que talvez ele mesmo não saiba.Como ja tinha trazido o giz para a a cena com a Elena Urias vejo que vão se ligando acho que no inconsciente mas logo achamos razão para isso(pesquisa google em quanto escrevia esse post)Significado sonhar com Cal.
    Satisfação de um desejo há muito alimentado e quase sem esperança.
    Seco: sucesso nos negócios.
    Com água: desavenças amorosas.
    Nao deixa se ser pesquisa...

    Processo Genial...

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  4. Queridos, ao ler cada comentário me aproximo mais de vcs, vou desvendando os mistérios, lendo as almas, me sinto mais próxima, em comunhão.

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