11 de setembro de 2011

À Espera de um Milagre.

Eu fiquei de postar o relatório da aula de segunda-feira, que está interessantíssimo, mas sempre que vinha até o blog e via um grande 0 comentário me desmotivava. Eu até tentei postar, mas sem inspiração, nada parecia funcionar. Já estava totalmente desolada quando, entrei no meu email e vi uma linda e nova mensagem dizendo que, finalmente, alguém havia deixado um comentário.

Que sensação maravilhosa! Fui correndo ver quem teria tido a grandeza de espírito de deixar uma frase, palavra, declaração ou um sentimento. Imaginem a minha surpresa em saber que não havia sido nenhum dos alunos e sim a professora. É foi uma surpresa :-) Enfim. Vou parar de enrolar e postar sobre a aula, que estamos aqui para isso. Eu acho que estamos aqui né, estamos?? Tem alguém aí??

Aula dia 5 de setembro.


‎"Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente até onde os outros foram"
                                                                                                              
                                                                                                          GRAHAN BELL


AQUECIMENTO


     O aquecimento foi bem interessante, ao som de Gipsy Kings, todos dançaram se espreguiçaram, mexendo as articulações. Sempre lembrando da respiração que é muito importante. Duração de 10 minutos.
     Em seguida, dentro do mesmo aquecimento, a idéia era fazer movimentos de pegar algo, transformar e devolver para o universo. Movimentos de alongamento, mas criando imagens mentais. Começa com o abstrato e vai transformando em algo. Irradiar a energia até o infinito. Importante perceber o seu ritmo, suas limitações e tentar ultrapassar. Duração de 6 minutos.


     O exercício seguinte foi bem mais intenso: Caminhar pelo espaço de forma orientada. Olhara para um ponto e seguir. Certeza de onde ir. Crescer o externo, escapula para trás. Seguir em retas, linhas geométricas, se adaptando ao espaço. Depois veio a dúvida, pensar em 2 ou 3 pontos diferentes, ter dúvidas e escolher um ponto. Confusão, desorientação, movimentos circulares ( o que você busca?). A eterna busca pela felicidade ( aparece no filme da Pina). Acelerar o ritmo, quase como corrida. Pequenas quedas, tropeços, desequilíbrio. Cair e levantar, procurando a felicidade. Respirar, ouvir a respiração. Passar a ser uma luta contra o cotidiano, quer desistir mas não consegue. Perceber encontro com o outro, depois perceber a separação. Então fica lento, ritmo menor, trabalhar peso do corpo, controlar a ansiedade. A lentidão irrita. Voltar para o ritmo frenético sem pensar. Duração 3o minutos.


     Na seqüência o exercício foi, caminhando, colocar no corpo alguma ação feminina, para os homens e masculina para as mulheres. Investigação de tudo, movimentos, ações, mesmo formas estereotipadas. No caminhar, sentar, deitar. Tentar construir um estado feminino/masculino com a respiração. Colocar ações do cotidiano. Pode acontecer um encontro, improvisar um jogo. Nesse exercício houve um grande interação e jogo entre todos, muito interessante de se ver. Duração de 15 minutos.  





Divisão de grupos para anotar os "estados", descobertas e sensações. Criar ações do cotidiano em espaços internos.


Cena do primeiro grupo. Ângela, Otávia, Elena, Silvio, Gerson, André e Antunis.


Meninas assistindo futebol e meninos na cozinha. Discutem sobre as diferenças entre os sexos. Meninas querem cerveja e homens atenção e carinho. Brigam  e meninos saem.


Cena do segundo grupo. William, Henrique, Letícia, Lara, Natália, Mayara, Vanessa.


Os meninos chegam atrasados a uma aula, as meninas estão prontas. A professora dá várias broncas nos meninos que estão de bailarinas e erram sempre os passos. Todas as meninas saem deixando os 2 meninos sozinhos ensaiando.


Exercício denominado " Pinto e Boceta" 


Forman-se duas filas, uma de frente para a outra. Se aproximam, se acariciam, se tocam, um impulso e o afastamento. Intensidade, agressividade de um e do outro. Se permitir perceber o feminino e o masculino, um busca o outro.
Depois de um tempo livre, todos imitaram um casal. Como se fosse espelho coletivo. 


Divisão em 2 grupos, um com 3 casais e outro com 4. 
Os grupos criaram movimentos coordenados e sincronizados.


Grupo 1. Natália, Vanessa, Elena, Gerson, William e Letícia. 





Os meninos levantam as mãos e andam até as menias,  beijam a ponta do nariz, se viram e trocam de parceiras. As meninas correm até os meninos, pegam por trás, eles se jogam para  frente e voltam, as meninas voltam p lugar, os meninos vão até elas, pegam no cabelo e caem para o lado, os meninos viram de  costas e descem, rebolando, até o chão e levantam. As meninas empurram eles que voltam para o lugar.





Grupo 2. 


Casais se encontram no meio, os meninos descem até o chão, as meninas empurram eles, que voltam para o lugar. Depois voltam ao meio, as meninas cheiram os meninos. Voltam p lugar e voltam para o meio e interagem.


PASSADÃO:




 - Cena coletiva, 7 minutos.
 - Cena 1. Natália, Vanessa e Otávia, 7 minutos.
 - Cena 2. Henrique, Antunis, André e Silvio, 6 minutos.
 - Cena 3. William e Elena, 4 minutos.
 - Cena 4. Gerson, Mayara Thaís (faltou), 4 minutos.
 - Cena 5. Letícia, Ângela e Lara, 6 minutos.


Passamos até a metade.


Considerações Renata: 




     As cenas ficaram muito interessantes, as roupas, papeis. Cuidado para não ter uma tendência de criar uma " "finalização", como uma historinha dramática (Vanessa voltou a se encontrar com a Natalia). Se tem aquela coisa voltou, abraçou e deu tudo certo, é como se fosse um final feliz. Não precisa ter um desfecho, pois a vida não tem desfecho, ela continua. Nao tem final feliz. Nas cenas dá para perceber a busca, que é o super objetivo. Tentar fazer um link disso tudo para se manter em um super objetivo, a busca. Até encontrar 
exatamente qual a busca.

     Nas coreografias está muito presente a linguagem performática. A mistura de roupa feminina em um homem. Estranhamento. Pensar nesse caminho. Improviso da afetação, depois de brincar muito tem que trazer um detalhe, um estado apenas, descobrir na sutileza, na leveza, cuidado com o esteriótipo. Trabalhar nos gestus, que são os gestos sociais, linguagens universais, pode ter alguns gestus, pensando nisso, exemplo “ qual a palavrinha magica” “Sinceramente nao sei o que vc ta fazendo com esse cara”  a mesma coisa do celular, toca e todo mundo começa a procurar. Frases que construíram na improvisaocao. Sons, ruídos, campos de improvisações. Chico buarque que aparece junto com a musica Gipsy Kngs. Bibliografia é fundamental, pois quanto mais vocês lêem mais vocês entendem esse universo, Bob Wilson. Embasamento teórico ajuda a compreender esse trabalho.


Pensar durante final de semana e trazer segunda-feira.
Individualmente trazer uma cena do filme. Trabalhar em cima desse recorte e pesquisar. Outro campo de investigacao, partindo do filme Lamento da Imperatriz. As vezes até como imitação, imitar e depois descobrir, ver o que acontece com isso. Brincar com esse universo para uma investigação.

Ainda trabalhar mais alguns dias os improvisações, até chegar o momento de selecionar o que fica e trabalhar a técnica, fazer tudo certo, marcado, aí pensar em figurino, cores, etc…  Decorar e marcar. Até final de setembro para levantar todas as possiblidades criativas e em outubro trabalhar em cima de um roteiro, seqüência.

Exercicio de performance, de aquecimento. Pegar uma citacao, uma cena da Pina Bausch e repetir. Pegar no youtube, um pedacinho de um gesto, de uma imagem, uma cena. Mostrar aqui na turma e todo mundo vai fazer os gesto junto. Treinar isso, pesquisar, para achar um gestus. Isso pode aparecer ao longo do espetáculo.




É isso aí galera!! Agora é a fase mais divertida. Pesquisar e pesquisar, trazer muitas idéias e mostrar tudo que tem dentro de vocês. Que oportunidade incrível de autoconhecimento!


Boa viagem ao centro de vocês!!



5 comentários:

  1. Pina-sicologica-fisicamente.

    Ontem eu me senti PÉSSIMAMENTE MAL durante o exercício de repetição. Meu estado de espírito estava super normal antes da aula, entretanto, ao começar as repetições, uma angústia foi crescendo dentro de mim. Uma sensação estranha de querer desaparecer, sair daquele lugar, parar de fazer aquilo - e ao mesmo tempo a perda da consciência, muitas vezes esquecia o porquê de estar fazendo tudo aquilo.

    O sentimento ruim foi tão grande que assim que paramos a repetição os meus olhos marejaram. Fui ao banheiro e chorei muito, tomei rumo novamente quando a Natália deu conta que eu estava lá e me disse algumas palavras norteadoras.

    Hoje pesquisei sobre essa sensação e discuti com a minha psicóloga sobre o assunto.
    A sensação da repetição pode causar muitas vezes, se feita da maneira certa e com grande intensidade, um estado de desconexão. O que eu senti ao querer sair daquele lugar foi certo, parece que o corpo baixou todas as defesas e eu estava sucetível à quaisquer emoções aleatórias dos presentes.
    É exatamente isso que acontece em rituais indígenas, por exemplo, onde uma dança (e eventualmente uma música) é repetida milhares de vezes, até causar tal estado - que é por onde eles se comunicam com os seus deuses (Xamãs) e afins.

    Ainda hoje eu não me sentia em meu corpo por completo, parecia que meu humor (que acredito ser grande parte da minha identidade) havia se esvaído.

    Escrevi demais :)


    Henrique Antunis

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  2. Sábado à tarde, depois de dar aulas o dia inteiro, me deparo com uma vontade louca de entrar no blog, estou me alimentando das citações que a Érica coloca nas epígrafes e me alimentando da sua escrita que me mostra, como um espelho, eu no meu fazer. Revejo minhas ações e falas durante a aula, vejo o meu caminho pedagógico e as minhas inspirações criativas. Eu estou aqui!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Viva!!! Em trânsito. Em constante mutação.

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  3. Gente, tem um link no yuo tube com um pedacinho do filme sobre a Pina que vai estrear em Outubro no Brasil, é muito inspirador.

    Também não esqueçam de visitar e ler os textos postados do blog acupunturapoetica.blogspot.com tem um artigo meu lá sobre simultaneidade.

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  4. Gostei muito do trailer do filme.
    Deve ser uma hiper-experiência e é muito engraçado (não seria essa a palavra, mas enfim) poder ver partes do que estamos fazendo e estamos conscientes, assim como o feminino no masculino, repetição, cadeiras e etc... :D

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